sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Saúde: Soroche e chá de coca


     É impossível visitar os Andes sem experimentar o chá de coca, chupar uma pastilha de coca ou, pelo menos, mascar folhas da planta, não importa a sua idade!



Folhas da planta da coca

Folhinhas da planta, que utilizamos para evitar o Soroche.

     As folhas de coca são utilizadas em todos os países que compartilham a Cordilheira dos Andes, sendo legais, medicinais e aparentemente inócuas (ao contrário de seu produto purificado, a cocaína).  Até o Papa Francisco fez uso do chá em visita à Bolívia, para amenizar os efeitos do Soroche.
 





Chá de coca, que também é utilizado para diminuir os efeitos
causados pelo "mal de altura".
     Soroche é o chamado "Mal de Altura", uma espécie angustia que algumas pessoas sentem em lugares muito elevados, resultado da falta de adaptação do organismo à hipoxia (diminuição de oxigênio) quando se ascende rapidamente nas montanhas.




     Os sintomas são: náusea e vômito, dor de cabeça, falta de apetite, esgotamento físico, nervosismo, baixa pressão, transtorno do sono (sonolência  e insônia), elevação do ritmo cardíaco.



Balas de coca - você deixa desmanchar na boca, durante
a viagem, para evitar os efeitos causados pela altura.
     Tanto o chá quanto a mastigação das folhas liberam substâncias com efeitos estimulantes, digestivos, inibidores do apetite e que diminuem os efeitos do "mal da atitude", tão comum em regiões muito altas e onde o volume de oxigênio é menor.

     As balas, o chá e as folhas são encontrados em armazéns e barracas na beira da estrada, à disposição de qualquer viajante que precise.


Fotos © Copyright  Ana Helena Barcellos

Fontes:  Pesquisa de Campo, Folhetos de Viagem, Centro de Informações Turísticas Local,  Informações do Guia, etc.












Cidadania: Problemas de Trânsito na Marginal Tietê

     Trânsito  é a movimentação de pessoas, veículos e animais por ruas e estradas, e, para que tudo ocorra bem e de forma harmônica, existem regras que precisam ser seguidas pelos cidadãos, para sua própria segurança na vida em sociedade.

     Para o bom funcionamento das cidades, a educação no trânsito é fundamental ao exercício da cidadania.

     A organização do trânsito está fundada em 3 pilares sem os quais a vida na cidade e o exercício pleno da cidadania seria simplesmente um caos: 
  • Engenharia (projeto, construção, sinalização e manutenção das vias)
  • Educação (formação e conscientização de condutores e cidadãos)
  • Ordenamento Jurídico (normas legais, policiamento, fiscalização e aplicação de penalidades)

     No mês passado, a Marginal Tiete foi interditada por 50 horas por causa de um acidente grave com um caminhão.  Esse acidente causou muito transtorno para a população, inclusive engarrafamentos quilométricos.

A caçamba do caminhão que bateu num viaduto, numa das principais vias da cidade de São Paulo, a marginal Tietê. Esta foto foi tirada no dia 19 e julho, quando passamos pelo local, em nossa viagem para o Chile.
 

     O caminhão com a caçamba levantada atingiu o viaduto, na sexta-feira (17 de julho), e quando passamos por lá, no dia 19, ela ainda estava lá, ocasionando muita confusão no trânsito do lado oposto do rio.
 
     A polêmica atual é a mudança de velocidade não só da Marginal Tietê mas também da Marginal Pinheiros, que teve sua velocidade reduzida por conta dos acidentes, o que não agradou a maioria dos motoristas.

As mudanças são:
  • Nas pistas expressas, a velocidade máxima passará de 90 quilômetros por hora (km/h) para 70 km/h, em caso de carros leves, e de 70 km/h para 60 km/h, para veículos pesados.
  • Nas pistas expressas, a velocidade máxima passará de 90 quilômetros por hora (km/h) para 70 km/h, em caso de carros leves, e de 70 km/h para 60 km/h, para veículos pesados.

     Desde 2013 a Prefeitura da Cidade de São Paulo vem buscando a redução das velocidades máximas para diminuir o número de acidentes, especialmente atropelamentos. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, das 54 pessoas atropeladas na Marginal Tietê no ano passado, 15 morreram, e na Marginal Pinheiros, dos 42 atropelamentos, 40 resultaram em morte.

      Para analisar a  situação das Marginais, precisamos lembrar que na época em que foram inauguradas – a Marginal Tietê (1957) e a Marginal Pinheiros (1970) –  a cidade era bem menor e essas eram as vias que circundavam a cidade,  servindo  de ligação entre as rodovias principais.   Atualmente, com o crescimento urbano, essas vias de acesso foram absorvidas pela cidade transformando-se em avenidas  e apesar da presença de pedestres ser expressamente proibida, muitos arriscam suas vidas transitando entre os veículos em alta velocidade.

     Para evitar tantos problemas e preservar a vida das pessoas, não basta mudar a velocidade, é preciso também educar o cidadão para o transito. 

     É preciso ter paciência e não ter pressa pra chegar, principalmente nos dias em que ocorre algum problema na rua, como um sinal que não funciona, obras na rua, um carro que enguiça, ou um acidente como o que aconteceu na marginal Tietê. E lembrar que somos pessoas, a pé ou no volante, que fazemos o trânsito. Então vamos ter mais atenção e ser educados com o próximo!



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Te contei: Cordilheira, a Terra de Lhamas

     No norte da Argentina e do Chile, na região das Cordilheiras dos Andes, encontramos um animal muito dócil e encantador, de pescoço longo: a lhama!
Kuzco! O Imperador que virou lhama no desenho animado 'A nova onda do Imperador', da Disney, retratando a vida de lhamas e camponeses pelos Andes.


     A lhama é natural da cordilheira, e é parente do camelo, sendo assim adaptada para viver em regiões mais desérticas, com escassez de água, sujeitas a calor e sol intenso durante o dia, e frio intenso, durante a noite.

Filhote de Lhama.

Uma família levando as lhamas pela estrada.



A Lhama que encontramos no ponto mais alto de Jujuy (a 4170m de altura).

     A lhama oferece transporte, lã e carne para a população local, sendo assim um recurso importante na região. A carne de lhama é muito apetitosa, e se assemelha muito à carne bovina. Em vários lugares se encontra a caçarola de lhama, que é um ensopado com carne de lhama assada, mas em Machuca, que é um vilarejo entre San Pedro de Atacama e as regiões montanhosas dos gêiseres, a população local faz o espetinho de churrasco de carne de lhama. A maior delícia!

A 'cazuela de llama' é servida no jantar do Hotel Punta Corral, em Tilcara.

A cazuela de llama, é um ensopado com legumes e carne de lhama.

Churrasco de lhama, que provamos no pequeno povoado de Machuca. Hummmmm!

      Já a lã da lhama é espessa e permite fabricar roupas que nos protegem do frio e do sol intenso. Eu tive a oportunidade de experimentar as meias de lã de lhama e não fiquei nem com um pouquinho de frio no meu pé. Também experimentei a roupa de lhama!

A roupa de lã de lhama. Quentinha!

     Tive a oportunidade de pôr as mãos e acariciar lhamas domesticadas no caminho para San Pedro de Atacama, e são criaturas muito dóceis, apesar que se diz que se forem irritadas podem cuspir na gente! Mas todas as lhamas que eu vi eram muito calminhas.

     Outro parente da lhama é a vicunha. Esses são animais menores e com pelagem mais leve, e ao contrário das lhamas são animais selvagens. As vicunhas são protegidas por lei, ou seja, sua caça é proibida. É comum encontrar as vicunhas em bandos pelas savanas, em busca de água e comida.

 
Vicunhas encontradas próximo do vilarejo de Machuca.

     Enfim, nessa viagem pude conhecer mais de perto esses singelos (e deliciosos) animais!






Cultura: As ruínas de San Ignacio Miní

     No caminho entre Foz do Iguaçu e Posadas, no norte da Argentina, antes da região dos chacos, mais propriamente na região das missiones, encontramos a cidade de San Ignacio, onde ficam as ruínas de San Ignacio Miní.

Ruínas da entrada da da antiga Igreja, em San Ignacio Miní.

    Na verdade, a missão original foi construída em 1610 pelos padres missionários Jesuítas que vieram com os conquistadores espanhóis e se estabeleceram no Brasil (no estado do Paraná), mas devido aos constantes ataques dos colonizadores portugueses, os Bandeirantes, a missão foi movida para a região das missiones em 1632, e só se estabeleceu definitivamente na região atual em 1696. Passou a ser conhecida como Santo Ignacio Miní, para distinguí-la da missão de San Ignacio Guazú, no Paraguai.

     As ruínas foram redescobertas em 1897, mas o trabalho de restauração do antigo vilarejo só teve início na década de 40.

     A visita começa pelo museu, onde encontra-se a história das missões jesuítas, da cidade, dos artefatos e da arte (esculturas) local da época.

Entrada do Museu


A história das missões é contada no museu, em forma de murais,
  e também através dos antigos artefatos encontrados na região.







Artefatos Jesuítas


Instrumentos e utensílios de música utilizados na época.




















Esculturas em madeira de San Ignacio de Loyola e de San Ambrosio.



Detalhes do rosto da escultura de San Ambrosio.


Maquete representativa da praça central e suas edificações, com a Igreja ao fundo, tal como era antigamente.

   Desde 1984, as ruínas de San Ignácio Miní são um patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO.


    Após a visita ao museu, é realizada a visita às ruínas. Painéis explicativos e conteúdo audio-visual em algumas línguas estão disponíveis em alguns locais facilitando a identificação do local, contado também parte da história.

Mapa das ruínas.


    A praça principal era composta da Igreja (construção principal, projetada por um padre italiano), do cabildo, do cemitério, um monastério, estábulos e algumas casas. As paredes da Igreja foram construídas com 2 metros de largura, o que favoreceu a integridade de partes da ruína por mais de 200 anos, apesar do material usado em sua construção ser considerado frágil (pedras de argila).

Ruínas das antigas casas.

Consoles com conteúdo áudio-visual próximo às ruínas facilitam a identificação e contam a história do local.

Em um dos consoles, está indicado em um mapa as três instalações da missão de San Ignácio Miní.

A praça central, com o portal da Igreja, ao fundo.

O interior da Igreja, visto do portal.

 O interior da Igreja, visto de trás para o portal.

Uma passagem para uma das salas laterais.

Inscrições entalhadas no pórtico de uma das portas da Igreja.

O interior da Igreja, ilustrado no painel do console de auto-explicação.

A divisão da sociedade, na cidade.

     Essa visita foi muito legal, pois a gente pode conhecer mais de perto a história que muitas vezes só lemos nos livros, a gente fica envolvida na atmosfera das antigas construções. Ao visitar as ruínas, a gente se sente como se estivesse em outra época!







Política: Itaipú Binacional - Integração Latino Americana

 
A Usina de Itaipu, é uma usina hidroelétrica no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, construída por ambos os países entre 1975 e 1982 - por isso é binacional.


Apesar de ser binacional, é importante ressaltar que para sua construção foi celebrado o Acordo Tripartite - um acordo entre 3 países:  Brasil, Paraguai e Argentina, em 1979, para aproveitamento dos recursos hídricos no trecho do Rio Paraná desde as Sete Quedas até a foz do Rio da Prata. Este acordo estabeleceu os níveis do rio e as variações permitidas para os diferentes empreendimentos hidrelétricos na bacia comum aos três países. À época, quando os três países eram governados por ditaduras militares, havia o temor que o Brasil em um eventual conflito com a Argentina, abrisse completamente as comportas de Itaipu, aumentando os níveis de água do Rio da Prata e inundando a cidade de Buenos Aires.
 
Itaipu é a  segunda maior produtora de energia do mundo , perdendo este posto apenas  para a Barragem das Três Gargantas (construída no Rio Yang-tsé, o maior da China), construída a partir de 1992,   que em 2014 produziu 98,8 MWh, contra 98,5 MWh de Itaipu.

O nome da usina,  Itaipu,  foi inspirado no nome de uma ilha que existia perto do local de construção. No idioma tupi-guarani, o termo significa "pedra na qual a água faz barulho", através da junção dos termos itá (pedra), 'y (água) e pu (barulho).

Itaipú é gigantesca em números:

  • seu lago possui uma área de 1.350 km2
  • possui 20 unidades geradoras de setecentos megawatts cada
  • tem uma potência de geração de 14.000 megawatts. 
  • No ano de 2013, a usina quebrou o seu próprio recorde de produção de 2012, com 98.630.035 megawatts-hora (MWh).
Porém, o que eu mais gostei foi saber que a Usina de Itaipú não é apenas uma empresa que gera energia,  mas exerce todo um trabalho de pesquisa e ações fundados em compromissos e valores pré-estabelecidos ligados à responsabilidade social, à  promoção de cidadania, de qualidade de vida, desenvolvimento sustentável e inclusão social.

Nota-se que a empresa se preocupada com a realização de seus empregados e procura oferecer meios de melhorar a qualidade de vida desses colaboradores.

Projeto Coleta Solidária
Reflorestamento e Produção de Mudas

Árvores Plantadas pelos Funcionários Aposentados da Usina.